Corte o caule de uma alface espigada e sai um látex branco. É esse látex, muito mais abundante na alface-brava, que está na origem de toda a reputação sonífera da alface — e não a folha que se come.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Lactuca sativa; a espécie selvagem é Lactuca serriola |
|---|---|
| Família | Asteraceae (compostas) |
| Parte utilizada | Folha |
Onde cresce
Cultivada em todo o Portugal, ao longo do ano. A forma selvagem, a alface-brava, é espontânea em bermas e terrenos remexidos.
Para que serve, na prática
- Culinária — a hortícola de folha mais consumida em Portugal, em tipos muito distintos: repolhuda, romana, frisada, de cortar
- Culinária cozinhada — as alfaces são também estufadas e usadas em sopa, uso corrente na cozinha francesa e menos conhecido em Portugal
- Horticultura — cultura de ciclo curto, das primeiras que se ensina a semear
O que a tradição lhe atribui
Ao látex branco que sai do caule cortado — visível sobretudo na alface-brava — está associada uma reputação sonífera antiga, que atravessa a literatura desde a Antiguidade. É uma reputação com muitos séculos e sem correspondência estabelecida no consumo alimentar da alface de mesa.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
O sabor amarga muito quando a planta espiga, o que acontece com calor. Lavar bem, como qualquer hortícola de folha consumida crua.
O que a lei permite dizer
Sobre alface, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de alface?
Lactuca sativa; a espécie selvagem é Lactuca serriola, da família Asteraceae (compostas).
Cresce em Portugal?
Cultivada em todo o Portugal, ao longo do ano. A forma selvagem, a alface-brava, é espontânea em bermas e terrenos remexidos.
Para que se usa?
Culinária — a hortícola de folha mais consumida em Portugal, em tipos muito distintos: repolhuda, romana, frisada, de cortar Além disso: Culinária cozinhada — as alfaces são também estufadas e usadas em sopa, uso corrente na cozinha francesa e menos conhecido em Portugal
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
O sabor amarga muito quando a planta espiga, o que acontece com calor. Lavar bem, como qualquer hortícola de folha consumida crua.
Plantas relacionadas
- Almeirão e chicória — da mesma família, Asteraceae
- Vara-de-ouro — da mesma família, Asteraceae
- Dente-de-leão — da mesma família, Asteraceae
- Milfólio — da mesma família, Asteraceae
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.