É um híbrido estéril, o que significa que todas as hortelãs-pimenta do mundo descendem de estacas, não de sementes. A planta que tem em casa é clone de uma linhagem propagada à mão durante séculos.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Mentha × piperita — híbrido de Mentha aquatica e Mentha spicata |
|---|---|
| Família | Lamiaceae (labiadas) |
| Parte utilizada | Folha |
Onde cresce
Não tem população natural própria: é um híbrido, propagado vegetativamente. Cultivada em todo o Portugal, em vaso e canteiro, e escapada em locais húmidos.
Para que serve, na prática
- Culinária — infusões, doçaria, cocktails, molhos; o mojito e a hortelã da sopa portuguesa usam mentas diferentes
- Higiene oral — o óleo essencial é o aroma dominante de pastas de dentes e elixires em todo o mundo
- Confeitaria e indústria — mentol e óleo de hortelã-pimenta são dos aromas alimentares mais produzidos do planeta
- Ornamental e vaso — planta de sombra parcial e solo húmido, que se torna invasora se plantada em canteiro livre
O que a tradição lhe atribui
A associação da hortelã à digestão e ao frescor é antiga e universal. O carácter químico responsável pela sensação de frio é o mentol, que actua sobre receptores de temperatura — é uma explicação física da sensação, não uma indicação de uso.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
O óleo essencial é concentrado e não se administra a crianças pequenas por via inalatória sem indicação. Em jardim, planta-se contida: o rizoma espalha-se e ocupa o canteiro.
O que a lei permite dizer
Sobre hortelã-pimenta, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de hortelã-pimenta?
Mentha × piperita — híbrido de Mentha aquatica e Mentha spicata, da família Lamiaceae (labiadas).
Cresce em Portugal?
Não tem população natural própria: é um híbrido, propagado vegetativamente. Cultivada em todo o Portugal, em vaso e canteiro, e escapada em locais húmidos.
Para que se usa?
Culinária — infusões, doçaria, cocktails, molhos; o mojito e a hortelã da sopa portuguesa usam mentas diferentes Além disso: Higiene oral — o óleo essencial é o aroma dominante de pastas de dentes e elixires em todo o mundo
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
O óleo essencial é concentrado e não se administra a crianças pequenas por via inalatória sem indicação. Em jardim, planta-se contida: o rizoma espalha-se e ocupa o canteiro.
Plantas relacionadas
- Tomilho — da mesma família, Lamiaceae
- Salva — da mesma família, Lamiaceae
- Tomilho na cozinha — da mesma família, Lamiaceae
- Urtiga-branca — da mesma família, Lamiaceae
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.