O nome é duas vezes redundante e diz tudo: agnus em latim, cordeiro, e castus, casto. Séculos de reputação ficaram cravados no nome científico da planta.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Vitex agnus-castus |
|---|---|
| Família | Lamiaceae (labiadas) |
| Parte utilizada | Fruto |
Onde cresce
Mediterrânica, espontânea em Portugal em leitos de ribeira e areias húmidas do sul e do litoral. Também conhecida como árvore-da-castidade ou pimenteiro-silvestre.
Para que serve, na prática
- Ornamental — arbusto de floração azul-violeta em pleno verão, muito usado em jardinagem mediterrânica de baixa rega e em arruamento
- Apícola — floração de verão valiosa, numa época de escassez
- Condimentar histórica — o fruto seco foi usado como substituto da pimenta, de onde vem o nome pimenteiro-silvestre
- Cestaria — os ramos flexíveis tiveram uso em cestaria
O que a tradição lhe atribui
O nome carrega a reputação: agnus castus, cordeiro casto. Plínio e Dioscórides referem-no, e a tradição atribuía-lhe a supressão do desejo — daí o uso em mosteiros e o nome inglês monk’s pepper, pimenta de monge.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
É desaconselhado em gravidez e amamentação e há literatura sobre interacção com contraceptivos hormonais e com medicação de acção hormonal. É uma das plantas desta lista em que a interacção é o cuidado dominante.
O que a lei permite dizer
Sobre agnocasto, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de agnocasto?
Vitex agnus-castus, da família Lamiaceae (labiadas).
Cresce em Portugal?
Mediterrânica, espontânea em Portugal em leitos de ribeira e areias húmidas do sul e do litoral. Também conhecida como árvore-da-castidade ou pimenteiro-silvestre.
Para que se usa?
Ornamental — arbusto de floração azul-violeta em pleno verão, muito usado em jardinagem mediterrânica de baixa rega e em arruamento Além disso: Apícola — floração de verão valiosa, numa época de escassez
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
É desaconselhado em gravidez e amamentação e há literatura sobre interacção com contraceptivos hormonais e com medicação de acção hormonal. É uma das plantas desta lista em que a interacção é o cuidado dominante.
Plantas relacionadas
- Alecrim — da mesma família, Lamiaceae
- Hortelã-pimenta — da mesma família, Lamiaceae
- Alfavaca e manjericão — da mesma família, Lamiaceae
- Alfazema e lavanda — da mesma família, Lamiaceae
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.