Deixou de ser Rosmarinus officinalis. Estudos de filogenia levaram a incluí-lo no género Salvia, o das salvas — pelo que o alecrim é, formalmente, uma salva.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Salvia rosmarinus (antes Rosmarinus officinalis) |
|---|---|
| Família | Lamiaceae (labiadas) |
| Parte utilizada | Folhas e sumidades |
Onde cresce
Mediterrânico, espontâneo e cultivado em todo o Portugal, sobretudo em matos secos, arribas e solos calcários. Resiste a seca e a vento salgado.
Para que serve, na prática
- Culinária — indispensável em assados, batata, cordeiro e pão; entra no início da cozedura
- Apícola — o mel de rosmaninho e alecrim é dos mais valorizados em Portugal
- Perfumaria — componente histórico da água-de-colónia; o óleo essencial é usado em cosmética e higiene
- Ornamental e paisagismo — sebe baixa, talude, jardinagem de baixa rega; as variedades rastejantes cobrem muros
- Fixação de solo — uso em recuperação de encostas secas
O que a tradição lhe atribui
O nome antigo, Rosmarinus, significa «orvalho do mar», e a planta tem uma associação europeia longa à memória e à fidelidade — está em Shakespeare e em rituais funerários e de casamento.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
O óleo essencial é concentrado e não se usa como a planta. Em jardim, o excesso de água mata-o muito mais depressa do que a falta.
O que a lei permite dizer
Sobre alecrim, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de alecrim?
Salvia rosmarinus (antes Rosmarinus officinalis), da família Lamiaceae (labiadas).
Cresce em Portugal?
Mediterrânico, espontâneo e cultivado em todo o Portugal, sobretudo em matos secos, arribas e solos calcários. Resiste a seca e a vento salgado.
Para que se usa?
Culinária — indispensável em assados, batata, cordeiro e pão; entra no início da cozedura Além disso: Apícola — o mel de rosmaninho e alecrim é dos mais valorizados em Portugal
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
O óleo essencial é concentrado e não se usa como a planta. Em jardim, o excesso de água mata-o muito mais depressa do que a falta.
Plantas relacionadas
- Salva — o mesmo género botânico, Salvia
- Agnocasto — da mesma família, Lamiaceae
- Alfazema e lavanda — da mesma família, Lamiaceae
- Chá-de-java — da mesma família, Lamiaceae
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.