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Centelha asiática: a planta que a cosmética adoptou

É a planta desta lista cuja fama actual não vem da tradição nem da farmácia — vem da prateleira de cosmética. O «cica» dos rótulos coreanos é esta planta.

Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.

Que planta é

Nome botânico Centella asiatica
Família Apiaceae (umbelíferas)
Parte utilizada Partes aéreas

Onde cresce

Ásia tropical e subtropical, zonas húmidas. Não é espontânea em Portugal. Cultivada comercialmente em Madagáscar, na Índia e no Sudeste Asiático.

Para que serve, na prática

  • Cosmética — é hoje um dos ingredientes botânicos mais usados em cosmética asiática e ocidental, sobretudo em produtos para pele sensível e reactiva, onde aparece como Centella asiatica extract ou pelo nome comercial cica
  • Culinária asiática — as folhas são consumidas em saladas e bebidas no Sri Lanka, na Tailândia e no Vietname
  • Ornamental — cobertura de solo rastejante em clima húmido

O que a tradição lhe atribui

É conhecida como gotu kola e tem uso longo nas medicinas tradicionais indiana e chinesa. A sua expansão recente, porém, não veio da fitoterapia: veio da cosmética coreana, que a tornou um ingrediente de massa na última década.

Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.

Cuidados a ter

Em cosmética, o que interessa é a formulação e a concentração do extracto, não a planta em si. Como qualquer ingrediente activo, pode não ser tolerado por todas as pessoas.

O que a lei permite dizer

Sobre centelha asiática, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:

  1. Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
  2. As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
  3. As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.

E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.

O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.

Perguntas frequentes

Qual é o nome científico de centelha asiática?

Centella asiatica, da família Apiaceae (umbelíferas).

Cresce em Portugal?

Ásia tropical e subtropical, zonas húmidas. Não é espontânea em Portugal. Cultivada comercialmente em Madagáscar, na Índia e no Sudeste Asiático.

Para que se usa?

Cosmética — é hoje um dos ingredientes botânicos mais usados em cosmética asiática e ocidental, sobretudo em produtos para pele sensível e reactiva, onde aparece como Centella asiatica extract ou pelo nome comercial cica Além disso: Culinária asiática — as folhas são consumidas em saladas e bebidas no Sri Lanka, na Tailândia e no Vietname

Serve para tratar alguma doença?

Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.

Há cuidados a ter?

Em cosmética, o que interessa é a formulação e a concentração do extracto, não a planta em si. Como qualquer ingrediente activo, pode não ser tolerado por todas as pessoas.

Plantas relacionadas

  • Angélica — da mesma família, Apiaceae
  • Funcho — da mesma família, Apiaceae
  • Arruda — também são as partes aéreas que se usam
  • Gilbardeira — também são as partes aéreas que se usam

Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.

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