O fruto aberto parece um olho — cápsula vermelha, arilo branco, semente preta. É a imagem que está na origem das narrativas indígenas sobre a planta e a razão do seu nome em várias línguas.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Paullinia cupana |
|---|---|
| Família | Sapindaceae |
| Parte utilizada | Semente |
Onde cresce
Nativa da Amazónia, com produção concentrada no estado brasileiro do Amazonas e na Bahia. Não é cultivada em Portugal.
Para que serve, na prática
- Bebidas — é a base dos refrigerantes de guaraná, categoria dominante no Brasil, e entra em bebidas energéticas em todo o mundo
- Alimentar — o pó de semente torrada é usado em barras, gelados e suplementos
- Cultural — a colheita e o processamento têm práticas próprias entre povos indígenas amazónicos, designadamente os Sateré-Mawé, com quem a planta está historicamente associada
O que a tradição lhe atribui
O carácter que explica todo o resto é factual e mensurável: a semente de guaraná tem teor de cafeína superior ao do café em grão. É uma questão de composição, não uma alegação de saúde — e é o que está por trás de todo o seu uso comercial.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
Sendo uma fonte concentrada de cafeína, aplicam-se-lhe os cuidados da cafeína: sensibilidade individual, sono, gravidez, hipertensão e interacção com outros estimulantes. Contar o guaraná como cafeína, ao somar o consumo do dia, é o cuidado prático que quase ninguém tem.
O que a lei permite dizer
Sobre guaraná, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de guaraná?
Paullinia cupana, da família Sapindaceae.
Cresce em Portugal?
Nativa da Amazónia, com produção concentrada no estado brasileiro do Amazonas e na Bahia. Não é cultivada em Portugal.
Para que se usa?
Bebidas — é a base dos refrigerantes de guaraná, categoria dominante no Brasil, e entra em bebidas energéticas em todo o mundo Além disso: Alimentar — o pó de semente torrada é usado em barras, gelados e suplementos
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
Sendo uma fonte concentrada de cafeína, aplicam-se-lhe os cuidados da cafeína: sensibilidade individual, sono, gravidez, hipertensão e interacção com outros estimulantes. Contar o guaraná como cafeína, ao somar o consumo do dia, é o cuidado prático que quase ninguém tem.
Plantas relacionadas
- Mate — a outra infusão sul-americana com cafeína
- Lúpulo — também entra em licores e bebidas
- Alcaçuz — também entra em licores e bebidas
- Angélica — também entra em licores e bebidas
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.