É doce por um composto — a glicirrizina — que é dezenas de vezes mais doce que o açúcar e que é, ao mesmo tempo, a razão do limite. Neste caso o que dá sabor e o que dá o risco são a mesma molécula.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Glycyrrhiza glabra |
|---|---|
| Família | Fabaceae (leguminosas) |
| Parte utilizada | Raiz e rizoma |
Onde cresce
Mediterrâneo oriental e Ásia ocidental. Cultivada no sul da Europa; em Portugal aparece pontualmente. A produção comercial concentra-se na Turquia, no Irão e na Ásia central.
Para que serve, na prática
- Confeitaria — é a base do regaliz e das gomas de alcaçuz, categoria enorme na Europa do norte, sobretudo nos países nórdicos e nos Países Baixos
- Bebidas — aromatiza cervejas escuras, licores e refrigerantes; entra em algumas fórmulas de root beer
- Culinária e tabaco — usado como adoçante e aromatizante industrial
- Adoçante natural — a glicirrizina é muito mais doce que a sacarose, o que explica todo o seu uso
O que a tradição lhe atribui
Glycyrrhiza significa literalmente «raiz doce», em grego. É uma das plantas com rota comercial mais antiga entre a Ásia e a Europa e o seu uso é predominantemente alimentar, não de infusão medicinal.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
Esta é a planta desta lista com o limite quantitativo mais bem estabelecido. O consumo elevado e continuado de alcaçuz está associado a aumento da tensão arterial e a perda de potássio. Há orientações europeias que recomendam moderação no consumo regular, e é desaconselhado a quem tenha hipertensão, doença cardíaca ou renal, e na gravidez. Não é uma precaução teórica: existem casos clínicos publicados por consumo de guloseimas de alcaçuz.
O que a lei permite dizer
Sobre alcaçuz, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de alcaçuz?
Glycyrrhiza glabra, da família Fabaceae (leguminosas).
Cresce em Portugal?
Mediterrâneo oriental e Ásia ocidental. Cultivada no sul da Europa; em Portugal aparece pontualmente. A produção comercial concentra-se na Turquia, no Irão e na Ásia central.
Para que se usa?
Confeitaria — é a base do regaliz e das gomas de alcaçuz, categoria enorme na Europa do norte, sobretudo nos países nórdicos e nos Países Baixos Além disso: Bebidas — aromatiza cervejas escuras, licores e refrigerantes; entra em algumas fórmulas de root beer
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
Esta é a planta desta lista com o limite quantitativo mais bem estabelecido. O consumo elevado e continuado de alcaçuz está associado a aumento da tensão arterial e a perda de potássio. Há orientações europeias que recomendam moderação no consumo regular, e é desaconselhado a quem tenha hipertensão, doença cardíaca ou renal, e na gravidez. Não é uma precaução teórica: existem casos clínicos publicados por consumo de guloseimas de alcaçuz.
Plantas relacionadas
- Copaíba — da mesma família, Fabaceae
- Alfafa — da mesma família, Fabaceae
- Sene — da mesma família, Fabaceae
- Funcho — também entra em licores e bebidas
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.