Um ramo de salgueiro enfiado em terra húmida pega. É a razão pela qual se usa em fixação de margens, e a razão pela qual aparece sozinho em qualquer vala que fique sem limpeza dois anos.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Género Salix — em Portugal, Salix atrocinerea, S. alba, S. salviifolia e outras |
|---|---|
| Família | Salicaceae |
| Parte utilizada | Casca e ramos |
Onde cresce
Espontâneos em todo o Portugal continental, sempre associados a água: margens de rios e ribeiros, valas, terrenos encharcados. Fazem parte da galeria ripícola típica.
Para que serve, na prática
- Cestaria — os vimes são ramos de salgueiro, e a cestaria de vime é ofício tradicional em várias regiões portuguesas
- Engenharia natural — plantam-se para fixar margens e travar erosão, porque enraízam de estaca com extrema facilidade
- Apícola — floração muito precoce, das primeiras do ano, decisiva para as colónias de abelhas à saída do inverno
- Ornamental — do salgueiro-chorão às variedades de casca colorida usadas em jardim de inverno
O que a tradição lhe atribui
A casca de salgueiro é o exemplo histórico mais citado na relação entre plantas e farmacologia: foi a partir do estudo dos seus compostos que se chegou, no século XIX, à síntese do ácido acetilsalicílico. É história de química, não uma indicação de uso.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
Precisamente pela relação química com os salicilatos, quem tenha sensibilidade ao ácido acetilsalicílico deve ter isso em conta. A árvore tem raízes agressivas e não é para plantar junto a canalizações.
O que a lei permite dizer
Sobre salgueiro, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de salgueiro?
Género Salix — em Portugal, Salix atrocinerea, S. alba, S. salviifolia e outras, da família Salicaceae.
Cresce em Portugal?
Espontâneos em todo o Portugal continental, sempre associados a água: margens de rios e ribeiros, valas, terrenos encharcados. Fazem parte da galeria ripícola típica.
Para que se usa?
Cestaria — os vimes são ramos de salgueiro, e a cestaria de vime é ofício tradicional em várias regiões portuguesas Além disso: Engenharia natural — plantam-se para fixar margens e travar erosão, porque enraízam de estaca com extrema facilidade
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
Precisamente pela relação química com os salicilatos, quem tenha sensibilidade ao ácido acetilsalicílico deve ter isso em conta. A árvore tem raízes agressivas e não é para plantar junto a canalizações.
Plantas relacionadas
- Amieiro-negro — também cresce espontânea em Portugal
- Acerola — também cresce espontânea em Portugal
- Espinheira-santa — também cresce espontânea em Portugal
- Agnocasto — também cresce espontânea em Portugal
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.