Tanto Arctostaphylos (grego) como uva-ursi (latim) querem dizer «uva de urso». O nome foi traduzido duas vezes para a mesma coisa e ficaram as duas — é o único caso desta lista.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Arctostaphylos uva-ursi |
|---|---|
| Família | Ericaceae |
| Parte utilizada | Folha |
Onde cresce
Circumboreal, com presença em Portugal em zonas de montanha do norte e centro e em alguns sistemas dunares. É protegida em várias regiões europeias, pela pressão de colheita.
Para que serve, na prática
- Ornamental — arbusto rastejante perene, usado como cobertura de solo em jardins de baixa manutenção e taludes
- Ecológico — as bagas são alimento de fauna, e o nome, tanto o científico como o popular, significa exactamente «uva do urso»
- Curtimenta — as folhas, ricas em taninos, foram usadas no curtimento de pele
O que a tradição lhe atribui
É uma das plantas mais citadas na fitoterapia europeia clássica, com uso registado desde a Idade Média. Como no caso do Solidago, é uma reputação longa, o que não é o mesmo que uma avaliação.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
É rica em taninos, que são adstringentes e podem irritar o estômago. A colheita em meio natural está sujeita a restrições em áreas onde a espécie é protegida.
O que a lei permite dizer
Sobre uva-ursina, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de uva-ursina?
Arctostaphylos uva-ursi, da família Ericaceae.
Cresce em Portugal?
Circumboreal, com presença em Portugal em zonas de montanha do norte e centro e em alguns sistemas dunares. É protegida em várias regiões europeias, pela pressão de colheita.
Para que se usa?
Ornamental — arbusto rastejante perene, usado como cobertura de solo em jardins de baixa manutenção e taludes Além disso: Ecológico — as bagas são alimento de fauna, e o nome, tanto o científico como o popular, significa exactamente «uva do urso»
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
É rica em taninos, que são adstringentes e podem irritar o estômago. A colheita em meio natural está sujeita a restrições em áreas onde a espécie é protegida.
Plantas relacionadas
- Ginkgo biloba — também é a folha que se usa
- Hamamélia — também é a folha que se usa
- Visco-branco — também é a folha que se usa
- Espinheira-santa — também é a folha que se usa
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.