É uma das poucas plantas desta lista que existe no mercado europeu com estatuto de medicamento, e não apenas de suplemento. Ler o rótulo para saber qual dos dois se tem na mão é a diferença entre um produto avaliado e um produto notificado.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Valeriana officinalis |
|---|---|
| Família | Caprifoliaceae |
| Parte utilizada | Raiz e rizoma |
Onde cresce
Europa e Ásia temperada. Em Portugal ocorre em zonas húmidas do norte e centro; o género tem outras espécies no país. A produção para mercado é sobretudo centro-europeia.
Para que serve, na prática
- Ornamental — planta alta de floração branca-rosada, usada em canteiro de estilo naturalista e apreciada por polinizadores
- Perfumaria — a raiz entra em composições de nota terrosa e amadeirada, e é usada em fixação
- Curiosidade zoológica — a raiz atrai gatos, com efeito comparável ao da erva-dos-gatos, e é usada em brinquedos e em armadilhas
O que a tradição lhe atribui
É uma das plantas europeias com uso tradicional mais longo e mais associado ao sono. Na União Europeia, preparações de raiz de valeriana existem no mercado como medicamentos tradicionais à base de plantas, com registo próprio — o que é um enquadramento diferente do de um suplemento alimentar, e a distinção importa.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
O odor da raiz seca é forte e desagradável para a maioria das pessoas — descrito como cheiro a meias. Não deve ser combinada com álcool nem com medicação sedativa sem indicação.
O que a lei permite dizer
Sobre valeriana, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de valeriana?
Valeriana officinalis, da família Caprifoliaceae.
Cresce em Portugal?
Europa e Ásia temperada. Em Portugal ocorre em zonas húmidas do norte e centro; o género tem outras espécies no país. A produção para mercado é sobretudo centro-europeia.
Para que se usa?
Ornamental — planta alta de floração branca-rosada, usada em canteiro de estilo naturalista e apreciada por polinizadores Além disso: Perfumaria — a raiz entra em composições de nota terrosa e amadeirada, e é usada em fixação
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
O odor da raiz seca é forte e desagradável para a maioria das pessoas — descrito como cheiro a meias. Não deve ser combinada com álcool nem com medicação sedativa sem indicação.
Plantas relacionadas
- Ginseng — também é a raiz que se usa
- Gengibre — também é a raiz que se usa
- Onagra — também é a raiz que se usa
- Gilbardeira — também é a raiz que se usa
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.