Ao contrário de todas as outras plantas desta lista, o hipericão não é apenas alimento aos olhos da lei: existe uma monografia da União Europeia sobre Hypericum perforatum L., herba, e uma declaração pública da Agência Europeia de Medicamentos sobre interacções. O que o distingue não é aquilo que se lhe atribui — é o facto de poder alterar o efeito de medicamentos que a pessoa já esteja a tomar.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Hypericum perforatum |
|---|---|
| Família | Hypericaceae |
| Parte utilizada | Sumidades floridas |
Onde cresce
Espontânea em toda a Europa, incluindo Portugal continental, em bermas de estrada, pastagens secas e terrenos incultos. Introduzida na América do Norte e na Austrália, onde é considerada invasora em pastagens.
Para que serve, na prática
- Identificação — as folhas contra a luz mostram pontuações translúcidas, glândulas que parecem furos: é isso que o epíteto perforatum descreve, e é a maneira mais fiável de reconhecer a planta no campo
- Corante — a maceração das flores em óleo dá um vermelho intenso, da hipericina, e esse óleo vermelho é usado em cosmética como ingrediente corado
- Ornamental — o género Hypericum é largamente usado em jardinagem, com espécies e cultivares de flor amarela
- Melífera — a floração de verão é visitada por abelhas e outros polinizadores
O que a tradição lhe atribui
O nome vem da data: colhia-se em volta do dia de São João, 24 de Junho, na altura da floração, e as sumidades eram penduradas às portas nas festas joaninas. É uma das plantas europeias com tradição mais antiga e mais continuamente registada.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
Esta é a planta desta lista em que os cuidados não são uma formalidade. O hipericão está entre as interacções planta-medicamento melhor documentadas: induz enzimas hepáticas do sistema do citocromo P450 e o transportador glicoproteína-P, o que pode reduzir a concentração no sangue de vários medicamentos e, com isso, a sua eficácia — contraceptivos orais, anticoagulantes, ciclosporina, antirretrovirais e alguns antidepressivos entre eles. A Agência Europeia de Medicamentos emitiu uma declaração pública específica sobre o risco de interacção com antirretrovirais. Provoca também fotossensibilização. Se toma medicação de forma continuada, esta é uma planta a falar com o médico ou o farmacêutico antes, e não depois.
O que a lei permite dizer
Sobre erva de são joão (hipericão), como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de erva de são joão (hipericão)?
Hypericum perforatum, da família Hypericaceae.
Cresce em Portugal?
Espontânea em toda a Europa, incluindo Portugal continental, em bermas de estrada, pastagens secas e terrenos incultos. Introduzida na América do Norte e na Austrália, onde é considerada invasora em pastagens.
Para que se usa?
Identificação — as folhas contra a luz mostram pontuações translúcidas, glândulas que parecem furos: é isso que o epíteto perforatum descreve, e é a maneira mais fiável de reconhecer a planta no campo Além disso: Corante — a maceração das flores em óleo dá um vermelho intenso, da hipericina, e esse óleo vermelho é usado em cosmética como ingrediente corado
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
Esta é a planta desta lista em que os cuidados não são uma formalidade. O hipericão está entre as interacções planta-medicamento melhor documentadas: induz enzimas hepáticas do sistema do citocromo P450 e o transportador glicoproteína-P, o que pode reduzir a concentração no sangue de vários medicamentos e, com isso, a sua eficácia — contraceptivos orais, anticoagulantes, ciclosporina, antirretrovirais e alguns antidepressivos entre eles. A Agência Europeia de Medicamentos emitiu uma declaração pública específica sobre o risco de interacção com antirretrovirais. Provoca também fotossensibilização. Se toma medicação de forma continuada, esta é uma planta a falar com o médico ou o farmacêutico antes, e não depois.
Plantas relacionadas
- Malva — também serviu para tingir
- Sabugueiro — também serviu para tingir
- Vara-de-ouro — também serviu para tingir
- Urtiga — também serviu para tingir
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.