A cor malva chama-se malva por causa desta flor. É o único caso desta lista em que a planta deu nome a uma cor da língua portuguesa.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Malva sylvestris |
|---|---|
| Família | Malvaceae |
| Parte utilizada | Folhas e flores |
Onde cresce
Espontânea em todo o Portugal, em bermas, terrenos incultos e hortas abandonadas. É uma das herbáceas mais comuns e mais ignoradas do país.
Para que serve, na prática
- Culinária — folhas jovens comestíveis cozinhadas, com textura mucilaginosa que espessa caldos; usadas em sopas em várias cozinhas mediterrânicas e do Norte de África
- Infusão de consumo corrente, com sabor muito suave
- Ornamental — flores rosa-lilás com nervuras escuras; o género inclui espécies de jardim
- Tintureira — as flores dão tons azulados e esverdeados
O que a tradição lhe atribui
É a planta que dá nome à cor malva. O uso alimentar em Portugal é antigo mas hoje pouco praticado, ao contrário do que sucede em Marrocos ou no Egipto, onde folhas de malváceas continuam a ser base de pratos correntes.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
A textura mucilaginosa é o carácter mais marcante e é o que faz gostar ou não gostar. Colher longe de bermas de estrada e de terrenos tratados.
O que a lei permite dizer
Sobre malva, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de malva?
Malva sylvestris, da família Malvaceae.
Cresce em Portugal?
Espontânea em todo o Portugal, em bermas, terrenos incultos e hortas abandonadas. É uma das herbáceas mais comuns e mais ignoradas do país.
Para que se usa?
Culinária — folhas jovens comestíveis cozinhadas, com textura mucilaginosa que espessa caldos; usadas em sopas em várias cozinhas mediterrânicas e do Norte de África Além disso: Infusão de consumo corrente, com sabor muito suave
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
A textura mucilaginosa é o carácter mais marcante e é o que faz gostar ou não gostar. Colher longe de bermas de estrada e de terrenos tratados.
Plantas relacionadas
- Erva de São João (hipericão) — também serviu para tingir
- Amor-perfeito — também serviu para tingir
- Chá preto — também serviu para tingir
- Sabugueiro — também serviu para tingir
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.