É a única planta desta lista que a maioria dos portugueses tem à porta de casa no inverno e nunca lhe passou pela cabeça comer. A flor é comestível e tem sabor suave, ligeiramente vegetal.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Viola tricolor e híbridos de jardim (Viola × wittrockiana) |
|---|---|
| Família | Violaceae |
| Parte utilizada | Flor e partes aéreas |
Onde cresce
Viola tricolor é espontânea na Europa, incluindo Portugal. Os amores-perfeitos de canteiro são híbridos horticolas obtidos a partir dela e de espécies próximas.
Para que serve, na prática
- Culinária — a flor é comestível e é uma das mais usadas em cozinha de restaurante, em saladas, sobremesas e cubos de gelo
- Ornamental — é a flor de canteiro de inverno e primavera mais vendida em Portugal
- Corante natural — as pétalas escuras dão tons azulados e esverdeados em preparações frias
O que a tradição lhe atribui
O nome popular é uma tradução do francês pensée, pensamento — a flor da lembrança. Shakespeare chama-lhe heartsease, e é essa a raiz da reputação tranquilizadora que a acompanha.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
Se for para consumo, use flores de produção alimentar ou de cultivo próprio sem tratamentos. As plantas de centro de jardinagem são vendidas como ornamentais e podem ter fitofármacos aplicados.
O que a lei permite dizer
Sobre amor-perfeito, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de amor-perfeito?
Viola tricolor e híbridos de jardim (Viola × wittrockiana), da família Violaceae.
Cresce em Portugal?
Viola tricolor é espontânea na Europa, incluindo Portugal. Os amores-perfeitos de canteiro são híbridos horticolas obtidos a partir dela e de espécies próximas.
Para que se usa?
Culinária — a flor é comestível e é uma das mais usadas em cozinha de restaurante, em saladas, sobremesas e cubos de gelo Além disso: Ornamental — é a flor de canteiro de inverno e primavera mais vendida em Portugal
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
Se for para consumo, use flores de produção alimentar ou de cultivo próprio sem tratamentos. As plantas de centro de jardinagem são vendidas como ornamentais e podem ter fitofármacos aplicados.
Plantas relacionadas
- Chá preto — também serviu para tingir
- Erva de São João (hipericão) — também serviu para tingir
- Malva — também serviu para tingir
- Sabugueiro — também serviu para tingir
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.