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Abóbora: quantas espécies diferentes cabem numa palavra

Aquilo a que chamamos abóbora são três espécies diferentes. A abóbora-menina, a moganga e a courgette não são variedades da mesma planta — são culturas distintas com o mesmo nome de mesa.

Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.

Que planta é

Nome botânico Cucurbita pepo, C. maxima e C. moschata
Família Cucurbitaceae
Parte utilizada Polpa, semente, flor

Onde cresce

Originárias das Américas, cultivadas em todo o Portugal. As três espécies são culturas distintas que o português trata com o mesmo nome.

Para que serve, na prática

  • Culinária — sopa, doçaria, o doce de abóbora conventual, a abóbora assada; a flor é comestível, frita em polme
  • Semente — tostada como aperitivo, e prensada para óleo de semente de abóbora, corrente na Europa central
  • Ornamental e cultural — as variedades de casca dura para decoração de outono
  • Alimentação animal — uso agrícola tradicional de variedades forrageiras

O que a tradição lhe atribui

A semente tem uso tradicional muito difundido, incluindo em Portugal. É também uma das poucas partes de planta desta lista com valor nutricional bem caracterizado — em gordura, proteína e minerais — o que é matéria nutricional e não uma alegação de saúde.

Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.

Cuidados a ter

Abóboras ornamentais e híbridos amargos podem conter cucurbitacinas em quantidade que causa mal-estar digestivo. Se souber muito amarga, não se come. A regra do sabor é o melhor indicador que existe.

O que a lei permite dizer

Sobre abóbora, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:

  1. Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
  2. As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
  3. As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.

E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.

O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.

Perguntas frequentes

Qual é o nome científico de abóbora?

Cucurbita pepo, C. maxima e C. moschata, da família Cucurbitaceae.

Cresce em Portugal?

Originárias das Américas, cultivadas em todo o Portugal. As três espécies são culturas distintas que o português trata com o mesmo nome.

Para que se usa?

Culinária — sopa, doçaria, o doce de abóbora conventual, a abóbora assada; a flor é comestível, frita em polme Além disso: Semente — tostada como aperitivo, e prensada para óleo de semente de abóbora, corrente na Europa central

Serve para tratar alguma doença?

Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.

Há cuidados a ter?

Abóboras ornamentais e híbridos amargos podem conter cucurbitacinas em quantidade que causa mal-estar digestivo. Se souber muito amarga, não se come. A regra do sabor é o melhor indicador que existe.

Plantas relacionadas

  • Alfafa — também é planta de forragem
  • Almeirão e chicória — também é planta de forragem
  • Salva — também é planta de forragem
  • Óleo de onagra — também é a semente que se usa

Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.

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