Chama-se chá e não é chá; chama-se de java e é de todo o Sudeste Asiático. O nome comum diz mais sobre a rota comercial do que sobre a planta.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Orthosiphon aristatus |
|---|---|
| Família | Lamiaceae (labiadas) |
| Parte utilizada | Folhas e sumidades |
Onde cresce
Originária do Sudeste Asiático — Indonésia, Malásia, Índia. Não é espontânea em Portugal; chega ao mercado europeu como planta seca ou em extracto.
Para que serve, na prática
- Ornamental em climas quentes — as flores têm estames muito longos e curvos, de onde vem o nome comum «bigode de gato»
- Infusão de consumo corrente na Indonésia e na Malásia, onde é bebida tradicional do dia-a-dia
O que a tradição lhe atribui
É conhecida na medicina tradicional indonésia e malaia, e chegou à Europa por via colonial neerlandesa — daí «java». Não tem relação botânica com o chá (Camellia sinensis): o nome vem apenas do modo de preparação.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
Sendo importada e vendida sobretudo em extracto, a concentração varia com o produto. Não há tradição de uso alimentar em Portugal que sirva de referência.
O que a lei permite dizer
Sobre chá-de-java, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de chá-de-java?
Orthosiphon aristatus, da família Lamiaceae (labiadas).
Cresce em Portugal?
Originária do Sudeste Asiático — Indonésia, Malásia, Índia. Não é espontânea em Portugal; chega ao mercado europeu como planta seca ou em extracto.
Para que se usa?
Ornamental em climas quentes — as flores têm estames muito longos e curvos, de onde vem o nome comum «bigode de gato» Além disso: Infusão de consumo corrente na Indonésia e na Malásia, onde é bebida tradicional do dia-a-dia
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
Sendo importada e vendida sobretudo em extracto, a concentração varia com o produto. Não há tradição de uso alimentar em Portugal que sirva de referência.
Plantas relacionadas
- Chá preto — chama-se chá e não é chá — outra planta, outra família
- Alfavaca e manjericão — da mesma família, Lamiaceae
- Tomilho — da mesma família, Lamiaceae
- Tomilho na cozinha — da mesma família, Lamiaceae
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.