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Dente-de-leão: come-se tudo, e ninguém come nada

Reproduz-se em boa parte por apomixia, isto é, produz sementes sem fecundação. É por isso que o grupo tem centenas de microespécies e que os botânicos falam de «agregado Taraxacum» em vez de uma espécie só.

Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.

Que planta é

Nome botânico Taraxacum officinale e o agregado Taraxacum
Família Asteraceae (compostas)
Parte utilizada Folha, flor, raiz — tudo

Onde cresce

Espontâneo em todo o Portugal — relvados, bermas, hortas, fendas de pavimento. É uma das plantas mais bem-sucedidas do mundo, e o grupo é taxonomicamente complexo, com centenas de microespécies.

Para que serve, na prática

  • Culinária — as folhas jovens comem-se em salada, com amargor característico, e cozinhadas; é hortícola de mercado em Itália e em França
  • Bebidas — a flor faz vinho e geleia; a raiz torrada é substituto de café, como a chicória
  • Apícola — floração precoce e abundante, das primeiras fontes de pólen do ano
  • Ornamental involuntário — e o brinquedo universal de soprar as sementes

O que a tradição lhe atribui

É uma das plantas de uso alimentar mais difundido da Europa e uma das poucas em que se aproveita toda a planta. A reputação diurética que a acompanha está nos nomes populares de várias línguas, incluindo o francês pissenlit.

Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.

Cuidados a ter

O amargor aumenta muito com o calor e com a floração — colhe-se antes. Não colher em relvados tratados com herbicida, o que é precisamente onde a maioria das pessoas o tem.

O que a lei permite dizer

Sobre dente-de-leão, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:

  1. Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
  2. As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
  3. As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.

E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.

O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.

Perguntas frequentes

Qual é o nome científico de dente-de-leão?

Taraxacum officinale e o agregado Taraxacum, da família Asteraceae (compostas).

Cresce em Portugal?

Espontâneo em todo o Portugal — relvados, bermas, hortas, fendas de pavimento. É uma das plantas mais bem-sucedidas do mundo, e o grupo é taxonomicamente complexo, com centenas de microespécies.

Para que se usa?

Culinária — as folhas jovens comem-se em salada, com amargor característico, e cozinhadas; é hortícola de mercado em Itália e em França Além disso: Bebidas — a flor faz vinho e geleia; a raiz torrada é substituto de café, como a chicória

Serve para tratar alguma doença?

Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.

Há cuidados a ter?

O amargor aumenta muito com o calor e com a floração — colhe-se antes. Não colher em relvados tratados com herbicida, o que é precisamente onde a maioria das pessoas o tem.

Plantas relacionadas

  • Milfólio — da mesma família, Asteraceae
  • Vara-de-ouro — da mesma família, Asteraceae
  • Alface — da mesma família, Asteraceae
  • Almeirão e chicória — da mesma família, Asteraceae

Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.

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