Os grãos rosados no moinho de pimenta de quatro cores são fruto de aroeira — não são pimenta, e não vêm da mesma planta que a aroeira portuguesa, que é o lentisco do matagal algarvio.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Pistacia lentiscus em Portugal; Schinus terebinthifolia no Brasil |
|---|---|
| Família | Anacardiaceae — a mesma do caju, da manga e do pistácio |
| Parte utilizada | Resina e folha na Pistacia; fruto na Schinus |
Onde cresce
A aroeira portuguesa, Pistacia lentiscus, é espontânea em todo o litoral e no interior seco do sul — Algarve, Alentejo, vale do Tejo — no matagal mediterrânico, onde é uma das espécies estruturantes. A aroeira brasileira, Schinus terebinthifolia, é sul-americana e está introduzida em várias regiões do mundo, onde por vezes se comporta como invasora.
Para que serve, na prática
- Pimenta-rosa — os grãos rosados dos moinhos de pimenta de quatro cores não são pimenta: são frutos secos de Schinus terebinthifolia, a aroeira brasileira
- Almécega (mástique) — a resina de Pistacia lentiscus é a goma de mascar mais antiga documentada na Europa, e continua a ser produzida em Quios, na Grécia, com denominação de origem protegida
- Doçaria e licores — a almécega aromatiza o loukoumi, gelados e licores do Mediterrâneo oriental
- Vernizes e adesivos — a mesma resina foi matéria-prima de vernizes de pintura e de restauro
- Restauro ecológico — o lentisco é usado em recuperação de matos degradados por resistir à secura e fixar solo
O que a tradição lhe atribui
As duas plantas têm tradições distintas que o nome comum confunde. À almécega europeia atribuiu-se durante séculos utilidade na higiene da boca, e o hábito de a mascar está documentado desde a Antiguidade. À aroeira brasileira atribuem-se, na etnobotânica sul-americana, usos externos sobre a pele. São atribuições de tradições diferentes, sobre espécies diferentes, e nenhuma delas é uma indicação de uso.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
A família é a das Anacardiaceae — caju, manga, pistácio. Quem reage ao caju ou à casca da manga pode reagir à pimenta-rosa. A Schinus é conhecida por provocar dermatite de contacto em pessoas sensíveis, e o pó dos frutos pode ser irritante das vias respiratórias. Como sempre em plantas com dois nomes, o risco maior é comprar uma a pensar na outra.
O que a lei permite dizer
Sobre aroeira, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de aroeira?
Pistacia lentiscus em Portugal; Schinus terebinthifolia no Brasil, da família Anacardiaceae — a mesma do caju, da manga e do pistácio.
Cresce em Portugal?
A aroeira portuguesa, Pistacia lentiscus, é espontânea em todo o litoral e no interior seco do sul — Algarve, Alentejo, vale do Tejo — no matagal mediterrânico, onde é uma das espécies estruturantes. A aroeira brasileira, Schinus terebinthifolia, é sul-americana e está introduzida em várias regiões do mundo, onde por vezes se comporta como invasora.
Para que se usa?
Pimenta-rosa — os grãos rosados dos moinhos de pimenta de quatro cores não são pimenta: são frutos secos de Schinus terebinthifolia, a aroeira brasileira Além disso: Almécega (mástique) — a resina de Pistacia lentiscus é a goma de mascar mais antiga documentada na Europa, e continua a ser produzida em Quios, na Grécia, com denominação de origem protegida
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
A família é a das Anacardiaceae — caju, manga, pistácio. Quem reage ao caju ou à casca da manga pode reagir à pimenta-rosa. A Schinus é conhecida por provocar dermatite de contacto em pessoas sensíveis, e o pó dos frutos pode ser irritante das vias respiratórias. Como sempre em plantas com dois nomes, o risco maior é comprar uma a pensar na outra.
Plantas relacionadas
- Psyllium — outro caso de nome que designa mais do que uma planta
- Guaraná — também entra em licores e bebidas
- Lúpulo — também entra em licores e bebidas
- Mate — também entra em licores e bebidas
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.