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Arruda: a planta das superstições, e um cuidado a sério

É a única planta desta lista em que o cuidado principal não é de ingestão — é de tocar-lhe e depois ir para o sol. Jardineiros que a podam no verão conhecem bem o resultado.

Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.

Que planta é

Nome botânico Ruta graveolens
Família Rutaceae
Parte utilizada Partes aéreas

Onde cresce

Mediterrânica, cultivada em quintais de todo o Portugal e por vezes subespontânea. É uma das plantas com presença mais constante na cultura popular portuguesa.

Para que serve, na prática

  • Ornamental — folhagem azulada muito característica, planta de sol e de solo seco
  • Cultural — é a planta do «mau-olhado» na tradição popular portuguesa, colocada à porta ou levada ao bolso
  • Repelente — uso tradicional contra insectos em roupas e despensas
  • Aromatização, em quantidade mínima — entra em algumas grappas e aguardentes italianas

O que a tradição lhe atribui

Tem um lugar na cultura popular portuguesa que poucas plantas têm, e é da mesma família dos citrinos — Rutaceae — o que se percebe no cheiro forte e amargo quando se esmaga uma folha.

Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.

Cuidados a ter

Esta é a planta desta lista que exige mais cuidado. Contém compostos fototóxicos: o contacto com a planta seguido de exposição solar pode provocar queimaduras e bolhas na pele. É também abortiva e formalmente desaconselhada na gravidez, e em quantidade é tóxica. Manuseie com luvas e sem sol.

O que a lei permite dizer

Sobre arruda, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:

  1. Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
  2. As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
  3. As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.

E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.

O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.

Perguntas frequentes

Qual é o nome científico de arruda?

Ruta graveolens, da família Rutaceae.

Cresce em Portugal?

Mediterrânica, cultivada em quintais de todo o Portugal e por vezes subespontânea. É uma das plantas com presença mais constante na cultura popular portuguesa.

Para que se usa?

Ornamental — folhagem azulada muito característica, planta de sol e de solo seco Além disso: Cultural — é a planta do «mau-olhado» na tradição popular portuguesa, colocada à porta ou levada ao bolso

Serve para tratar alguma doença?

Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.

Há cuidados a ter?

Esta é a planta desta lista que exige mais cuidado. Contém compostos fototóxicos: o contacto com a planta seguido de exposição solar pode provocar queimaduras e bolhas na pele. É também abortiva e formalmente desaconselhada na gravidez, e em quantidade é tóxica. Manuseie com luvas e sem sol.

Plantas relacionadas

  • Alfazema e lavanda — também são as partes aéreas que se usam
  • Amor-perfeito — também são as partes aéreas que se usam
  • Centelha asiática — também são as partes aéreas que se usam
  • Erva de São João (hipericão) — também são as partes aéreas que se usam

Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.

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