O nome popular português aponta para a árvore errada. Se procurar «amieiro» encontra outra espécie, de outra família — é um dos casos em que o nome comum atrapalha a identificação.
Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Que planta é
| Nome botânico | Frangula alnus |
|---|---|
| Família | Rhamnaceae |
| Parte utilizada | Casca |
Onde cresce
Espontâneo em Portugal continental, em solos húmidos, margens de linhas de água e turfeiras. Apesar do nome, não é um amieiro — o amieiro verdadeiro é Alnus glutinosa, de família diferente.
Para que serve, na prática
- Ornamental e ecológico — bagas apreciadas por aves, folhagem que amarelece bem no outono
- Apícola — floração longa e discreta, útil para as abelhas
- Histórico — a madeira de Frangula foi valorizada para produzir carvão de pólvora, por queimar de forma muito regular
O que a tradição lhe atribui
A casca tem uso tradicional europeu documentado, e é uma das plantas em que a tradição sempre incluiu uma regra própria: a casca fresca não era usada, apenas a casca seca e guardada durante um período prolongado.
Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.
Cuidados a ter
A casca fresca é irritante para o aparelho digestivo. Esta é uma das plantas em que a preparação não é um detalhe — é a diferença entre um uso tradicional e um problema.
O que a lei permite dizer
Sobre amieiro-negro, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:
- Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
- As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
- As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.
E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.
O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico de amieiro-negro?
Frangula alnus, da família Rhamnaceae.
Cresce em Portugal?
Espontâneo em Portugal continental, em solos húmidos, margens de linhas de água e turfeiras. Apesar do nome, não é um amieiro — o amieiro verdadeiro é Alnus glutinosa, de família diferente.
Para que se usa?
Ornamental e ecológico — bagas apreciadas por aves, folhagem que amarelece bem no outono Além disso: Apícola — floração longa e discreta, útil para as abelhas
Serve para tratar alguma doença?
Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.
Há cuidados a ter?
A casca fresca é irritante para o aparelho digestivo. Esta é uma das plantas em que a preparação não é um detalhe — é a diferença entre um uso tradicional e um problema.
Plantas relacionadas
- Amor-perfeito — também cresce espontânea em Portugal
- Salgueiro — também cresce espontânea em Portugal
- Acerola — também cresce espontânea em Portugal
- Centelha asiática — também cresce espontânea em Portugal
Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.