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Angélica: o caule cristalizado e o licor

O verde brilhante dos bolos de pastelaria antiga é caule de angélica cristalizado. É uma das poucas plantas desta lista que a maioria das pessoas já comeu sem nunca ter sabido o nome.

Esta página foi reescrita. Antes descrevia o que se dizia que esta planta tratava; agora descreve o que ela é, onde cresce, para que serve de facto, e o que a lei permite afirmar. A razão da mudança está explicada em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.

Que planta é

Nome botânico Angelica archangelica
Família Apiaceae (umbelíferas)
Parte utilizada Caule, raiz, semente

Onde cresce

Norte e leste da Europa, zonas húmidas e frias. Não é espontânea em Portugal; é cultivada pontualmente. Em Portugal existe Angelica de outras espécies em zonas húmidas do norte.

Para que serve, na prática

  • Confeitaria — o caule cristalizado em verde é ingrediente clássico de doçaria europeia, e é a angélica que aparece em bolos e em panettone
  • Licores — entra na composição do Chartreuse, do Bénédictine e de vários gins e vermutes; é uma das plantas botânicas base do gin
  • Culinária nórdica — o caule foi alimento corrente na Escandinávia e na Islândia, onde é uma das poucas plantas de horta históricas
  • Ornamental — planta de grande porte e umbela imponente, usada em jardim naturalista

O que a tradição lhe atribui

O nome carrega uma origem religiosa — archangelica, do arcanjo — e a planta tem lugar próprio na tradição nórdica, onde foi cultivada e legislada como cultura na Islândia medieval.

Isto é etnobotânica: registo do que se acreditou e do que se praticou. Não é uma indicação de uso nem uma afirmação de eficácia — e a distinção não é um formalismo, é o que separa informação de alegação.

Cuidados a ter

Umbelífera, com todos os cuidados de identificação que isso implica — a família inclui espécies muito tóxicas de aspecto semelhante. Contém furanocumarinas, que podem ser fototóxicas em contacto com a pele seguido de sol.

O que a lei permite dizer

Sobre angélica, como sobre qualquer planta vendida como alimento ou suplemento alimentar em Portugal, aplicam-se três regras que convém conhecer:

  1. Um suplemento alimentar não pode ser apresentado como tratando ou prevenindo uma doença. Se o for, deixa juridicamente de ser alimento e passa a ser medicamento — competência do Infarmed, e ilegal sem autorização.
  2. As alegações de saúde têm de estar autorizadas, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1924/2006, depois de avaliação científica pela EFSA.
  3. As alegações sobre plantas estão «em espera» desde 2010 — nem autorizadas nem rejeitadas. É por isso que circulam sem estarem validadas.

E há um princípio que contraria a intuição de quase todos: o uso tradicional, por si, não é fundamento suficiente para autorizar uma alegação de saúde num alimento.

O enquadramento completo, com a diferença entre suplemento e medicamento e cinco sinais para ler criticamente um artigo sobre plantas, está em o que a lei permite dizer sobre plantas e saúde.

Perguntas frequentes

Qual é o nome científico de angélica?

Angelica archangelica, da família Apiaceae (umbelíferas).

Cresce em Portugal?

Norte e leste da Europa, zonas húmidas e frias. Não é espontânea em Portugal; é cultivada pontualmente. Em Portugal existe Angelica de outras espécies em zonas húmidas do norte.

Para que se usa?

Confeitaria — o caule cristalizado em verde é ingrediente clássico de doçaria europeia, e é a angélica que aparece em bolos e em panettone Além disso: Licores — entra na composição do Chartreuse, do Bénédictine e de vários gins e vermutes; é uma das plantas botânicas base do gin

Serve para tratar alguma doença?

Não é isso que esta página afirma, e não é isso que a lei permite afirmar sobre uma planta vendida como alimento. As alegações de saúde sobre plantas estão em espera de avaliação na União Europeia, e o uso tradicional não basta para as autorizar. Para uma questão de saúde, o interlocutor é um médico ou um farmacêutico.

Há cuidados a ter?

Umbelífera, com todos os cuidados de identificação que isso implica — a família inclui espécies muito tóxicas de aspecto semelhante. Contém furanocumarinas, que podem ser fototóxicas em contacto com a pele seguido de sol.

Plantas relacionadas

  • Centelha asiática — da mesma família, Apiaceae
  • Funcho — da mesma família, Apiaceae
  • Aroeira — também entra em licores e bebidas
  • Guaraná — também entra em licores e bebidas

Fontes: Regulamento (CE) n.º 1924/2006, relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos; Directiva 2001/83/CE, quanto ao regime dos medicamentos tradicionais à base de plantas; informação da DGAV sobre suplementos alimentares e do Infarmed sobre produtos-fronteira. A identificação botânica, a distribuição e os usos descritos correspondem a literatura botânica e etnobotânica corrente e não foram verificados espécime a espécime. Esta página não contém nem substitui aconselhamento médico ou farmacêutico.

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